Estreia nesta quinta filme Os Parças

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A rua 25 de março, epicentro do comércio popular paulista, estava lotada de figurantes, equipe técnica e, claro, curiosos. No meio da muvuca, um elenco cansado após intensa sequência de gravações com direito à perseguição policial e tiroteio. “Eu queria ir para van e não tinha como passar no meio do povo. Foi o jeito fingir desmaio”, explica Tom Cavalcante, que contou com a ajuda de Tirulipa para manter a farsa. “Eu comecei a gritar que o homem estava passando mal”, completa o cúmplice. “Eu acreditei que era sério”, admite Bruno de Luca.

Junto aos três, Whindersson Nunes, que completa o quarteto de protagonistas, só sabia rir da marmota. Os quatro humoristas estarão, a partir do próximo dia 30, nos cinemas com a comédia Os Parças, longa-metragem dirigido pelo cearense Halder Gomes.

“Meu desafio maior era conseguir incluí-los dentro da rigidez que é o cinema, porque tem as marcas de atuação, os limites de enquadramento, o foco. Eles são muito expansivos”, entrega o diretor, ressaltando que é a primeira experiência em cinema de Tom e Whindersson. “Não é um filme de esquetes, a história tem um arco, tem virada nesses personagens”, ressalta.

A trama conta a história de um locutor de loja de varejo, dois trambiqueiros e um técnico de informática que são obrigados a participar de um golpe: montar uma firma de casamento para produzir a festa da filha de um contrabandista. Sem dinheiro, os quatro forjam, no meio do comércio de rua, um casório de luxo.

“É uma experiência bem diferente do que eu já fiz, a começar pela época do filme. Depois do Cine Holliúdy, eu fiquei preso no universo das minhas memórias de infância e adolescência”, conta o diretor. Ele completa: “filmava sempre as décadas de 1970 ou 1980 e agora estou fazendo a série do Cine Holliúdy para a Globo, que são dez episódios também nos anos 1970. Filmar agora um projeto contemporâneo como Os Parças fez uma grande diferença”.

Apesar do descolamento para o Sudeste, o linguajar traz o mesmo “cearensês” que o público de Halder está acostumado. “Tinha algumas piadas que eu não entendia. Era difícil me concentrar para não rir em cena, porque o meu personagem é mais sério”, conta Bruno, que é paulistano, admitindo ter tido algumas dificuldades com o improviso dos outros três. “Eu fiquei impressionado em vê-los criando em cena”.

“A gente mudou o filme umas 60 vezes. Começou de um jeito e terminou de outro. É o lance espontâneo do humor, da cabeça da gente. O Halder deixou a gente à vontade”, conta Tirulipa, revelando que até as participações especiais surgiram na base do improviso. “A gente tava comendo sushi em São Paulo e o Bruno chegou com a ideia de chamar o Neymar. A gente topou. O Safadão foi do mesmo jeito, o Carlos Alberto (de Nóbrega), tudo de última hora”.

Apesar da comédia prevalecer, o longa tem cenas dramáticas que refletem sobre a migração nordestina por meio do cordel escrito pelo poeta Bráulio Bessa especialmente para Os Parças. “Foi a cena mais difícil, fazer rir a gente sabe fazer, mas fazer chorar foi horrível. Eu tive que lembrar de coisa ruim, a gente lembrou das épocas difíceis”, conta o filho do humorista Tiririca.

“O filme tem essa proposta de ser popular, é uma referência de Brasil em qualquer lugar que ele chegar. Cada personagem traz um pouco da cara do brasileiro. O Halder conseguiu fazer essa junção muito bem”, sintetiza Tom.

 

 

Fonte: O POVO